Deu no NYT: “a guitarra está de volta, baby!”

Em 2017, o diário americano The Washington Post declarou a “morte lenta e secreta da guitarra”. A Gibson, uma das marcas históricas, declarou a possibilidade de falir. Com o prestígio e a supremacia abalados pela ascensão de gêneros musicais sobre o rock, onde sua utilização perdia o destaque de décadas, a guitarra, transformada em relíquia, estaria com os dias contados. 

Três anos depois, a Fender, icônica fábrica do instrumento, declarou que em 2020 bateu um recorde de vendas, segundo a revista Guitar World. O que causou uma mudança de quadro tão radical? Um evento igualmente radical: a pandemia do COVID-19.

No decorrer de longos meses de quarentena, compostos por horas e horas de ócio e ansiedade, um contingente crescente recorreu à guitarra (e ao violão, também), um instrumento de certa forma acessível a muitos. Resultado: o The New York Times publicou matéria na semana passada proclamando que as guitarras estavam “de volta, baby!”, e explicando que o maior grupo dos atuais compradores é composto por jovens e adolescentes, a maioria mulheres.

A Fender reforça que o boom atual de vendas de guitarra não se deve a adultos mais velhos tentando reviver sua persona roqueira da juventude, embora eles também venham comprando mais – e por bom motivo, pois dispõem de mais renda disponível que os mais jovens. Sinal disso foi a movimentação notada no uso do aplicativo Fender Play, que ensina violão e guitarra a novatos, e disponibilizado gratuitamente durante o auge do lockdown. A base de usuários disparou de 150 mil para quase um milhão. Destes, 20% tinham menos de 24 anos de idade. Setenta por cento estavam abaixo da faixa dos 45 anos.