Em livro, a história de um templo do rock – e a briga de John Lennon com um mafioso

Dois novos livros trazem relatos inéditos para enriquecer ainda mais a já rica (e sempre fascinante) história da música pop, focando em dois personagens principais: um antigo templo do rock e um ex-Beatle.

Fillmore East-The Venue That Changed Rock Music Forever parte da longa vivência do autor Frank Mastropolo com aquele espaço icônico – frequentado por ele desde que era ocupado por um cinema – para reunir quase uma centena de depoimentos de músicos que passaram pelo teatro, gerenciado pelo legendário empresário Bill Graham, e  onde todo mundo que era alguém tocou, em algum momento entre março de 1968 e junho de 1971, quando fechou. 

A lista de artistas que pisaram naquele palco vai de Tim Buckley, Albert King e Janis Joplin & The Holding Company (que fizeram o show de abertura do local) a Jimi Hendrix (quatro concertos na virada de 1969 e 1970 viraram o álbum Band of Gypsys) e Allman Brothers (que registraram também lá seu Live at The Fillmore East), passando por Frank Zappa e John Lennon (juntos!), mais Elton John, Jeff Beck, B. B. King, Miles Davis, The Who, Otis Redding e tantos, tantos outros.  

Tudo turbinado pelas projeções psicodélicas do Joshua Light Show sobre todo o fundo do palco, cujo efeito pode ser visto, em todo seu esplendor, na capa de In-A-Gadda-Da-Vida, do Iron Butterfly.  

Frank entrevistou um elenco variado, que inclui Taj Mahal, Mark Farner (do Grand Funk Railroad), Steve Miller e John Mayall. E ilustrou a publicação com fotos tiradas por ele mesmo. 

O outro livro sai somente em março e tem um título ainda mais longo: Lennon, The Mobster And The Lawyer: The Untold Story of How John Lennon Took Down a Music Industry Gangster.

Fala sobre o embate travado entre John e Morris Levy, executivo da indústria fonográfica com ligações com a Máfia. 

Os dois brigaram feio depois que Lennon citou em “Come Together” um trecho de “You Can’t Catch Me”, canção de Chuck Berry editada pela Big Seven Music, de Levy – que processou o ex-Beatle por isso e ganhou na Justiça a promessa de John gravar para Morris três músicas. 

Nesse meio tempo, Lennon gravou com o produtor Phil Spector uma série de covers de standards do rock. E Spector, sendo Spector, roubou as fitas master, que ressurgiram depois sob a forma do álbum Roots: John Lennon Sings The Great Rock & Roll Hits, um lançamento Big Seven.

Lennon não se fez de rogado, recuperou as fitas, lançou seu próprio Rock’n’Roll pela Apple, e, auxiliado pelo advogado Jay Bergen, processou Levy. 

Todo mundo temia os laços de Morris com a Máfia e por isso era considerada nula a possibilidade de Lennon depor contra Levy no tribunal. Temia-se até um risco de violência contra o músico, quiçá assassinato, caso o fizesse. Mas John depôs e Morris perdeu, sendo obrigado a pagar o equivalente a quase 730 mil dólares, em dinheiro de hoje. 

Os detalhes estão todos no livro, escrito pelo ex-advogado de Lennon, Jay Bergen.