Música perde a doce carioca que cantou com os Beatles

Lizzie Bravo foi fotógrafa, cantora – acompanhou de Zé Ramalho a Egberto Gismonti, passando por Roberto Carlos e Milton Nascimento – e inspiração – muitos a conhecem como a “esperança de óculos” que seu então marido, Zé Rodrix, imortalizou na letra de “Casa no Campo”. 

Mas o destaque de seu legado será sempre sua associação com os Beatles, fruto do período no final da década de 1960 em que foi uma das “apple scruffs” de que falava George Harrison na faixa do álbum All Things Must Pass: as fãs dedicadas que passavam dias e parte da noite estacionadas na porta dos estúdios da EMI, em Abbey Road, à espera da chegada (ou saída) de um dos Beatles.

Graças a essa peregrinação diária, Lizzie foi surpreendida, em fevereiro de 1968, com uma pergunta feita por Paul McCartney na porta do estúdio, dirigida a todas as meninas que estavam ali: alguma delas seria capaz de sustentar uma nota aguda? Lizzie disse que conseguia, assim como a amiga Gayleen Pease. Em pouco tempo as duas estavam lá dentro, repartindo um microfone com John Lennon na gravação do refrão de “Across The Universe”.

Lizzie relembrou o episódio num texto que escreveu para a revista Pipoca Moderna, em 1982 – em especial, a sensação arrepiante de sentir a respiração de seu Beatle favorito  balançar seus cabelos.  E aqueles momentos ficaram eternizados na versão da música editada no álbum beneficente para o World Wildlife Fund, No One’s Gonna Change Our World, lançado em dezembro de 1969.

Esses anos passados em Londres estão contados com texto e fotos no livro Do Rio A Abbey Road, de 2015, cuja reedição ampliada está prevista para os próximos meses, assim com uma versão em inglês. 

São o registro muito especial de uma fase mágica em uma vida rica de arte, eternamente focada na música, de uma carioca doce que nos deixou, prematuramente, aos 70 anos, nessa segunda-feira. 

Ouça aqui Lizzie cantando com os Beatles: