A sci-fi humanista e poética de ‘Tales From The Loop’

Uma série de ficção-científica poética, Tales From The Loop, disponível na Amazon Prime Video, é diferente de tudo que você já viu antes, assim como são únicas as imagens hiper-realistas criadas pelo artista plástico sueco Simon Stålenhag, nas quais o seriado se inspira.

Simon criou um mundo onde paisagens de um cotidiano ordinário ganham outro significado com a adição de um elemento extraordinário: um adulto e uma criança passeiam por um campo rural onde jaz a carcaça de um robô gigante; pai e filho caminham pelo cercado da fazenda sob a sombra de naves espaciais; carros percorrem uma estrada no deserto, a caminho da uma instalação militar gigantesca, onde são construídos objetos voadores do tamanho de montanhas. 

A série gira em torno de uma família cuja vida é centrada no  Centro de Física Experimental instalado num subterrâneo de uma cidade fictícia no interior dos Estados Unidos – os cientistas Loretta (Rebecca Hall) e George (Paul Schneider),  seu esposo; Russ (Jonathan Pryce), pai de George, fundador e diretor do Centro; e os filhos do casal, o caçula Cole (Duncan Joiner) e Jakob (Daniel Zolghadri) – e das pessoas que trabalham nesse Centro, cujas vidas encontram, em um momento ou outro, interseções com os personagens principais, de amigos de escola ao funcionário que trabalha numa guarita.

O Centro, apelidado de Loop (Circuito, ou Ciclo), foi criado a partir de um fenômeno descrito como O Eclipse (nunca explicado), e abriga uma enorme esfera, que pode ser o epicentro de todas as ocorrências extraordinárias que ocorrem na cidade: dimensões paralelas, trocas de corpo, viagens no tempo.

Tudo ambientado no que parece ser a década de 1980, o que adiciona um elemento ainda mais intrigante, por ser um tempo de tecnologias antigas, quando ainda não havia a internet, por exemplo, onde as TVs são de tubo, em vez de telas planas, onde não há telefone sem fio, muito menos celular.

O melhor e mais intrigante, contudo, é que o extraordinário, como nas pinturas de Simon, é apenas um elemento para enquadrar ou ajudar a contar histórias humanas sobre sentimentos humanos de perda, de amor, de busca de pertencimento, de solidão. 

São apenas oito episódios sem pressa e sem truques baratos para impressionar. A ferramenta principal é sempre a história que está sendo contada e a forma como ela é contada – com cuidado, com delicadeza, com sutileza, até. 

Criada por Nathaniel Halpern (da série Legion) e produzida por Matt Reeves, a série é simplesmente sublime e tem episódios dirigidos por gente do calibre de Mark Romanek (ex-videoclipeiro e diretor de filmes como Não Me Abandone Jamais), Andrew Stanton (um dos realizadores dos longas de animação WALL-E e Procurando Nemo), Ti West (veterano de filmes e séries de terror) e Jodie Foster.

E tudo embalado por uma trilha sonora divina, assinada por Philip Glass e Paul Leonard-Morgan.