PLAYLIST 109 – A seleção comentada da semana

His Lordship – “All Cranked Up”– De certa forma, Chrissie Hynde pode ser considerada responsável por esse rock sujo, punk de garagem, cheio de influências 1950’s, muita marra e afiado deboche. Afinal, os dois fundadores da banda – o guitarrista James Walbourne e o baterista Kristoffer Sonne – tocaram com ela, dentro e fora do universo dos Pretenders. 

The Beths– “Silence Is Golden”– A nova do quarteto neo-zelandês de indie rock chega impulsionada por estocadas violentas de guitarra, dando uma amostra do que virá nos terceiro álbum do grupo, cujo título é de um sarcasmo cortante: Expert In a Dying Field.

Nina Nastasia – “Afterwards“ – Uma das favoritas de John Peel quando ele fazia questão de dar espaço generoso para ela na BBC, a cantora-compositora norte-americana quebra um silêncio de 12 anos cantando sobre perda e dor num álbum duro mas cheio de beleza, Riderless Horse, com a produção do mesmo Steve Albini que sempre trabalha com ela. 

Flume – “Palaces” – Hipnótica, misteriosa e fluindo como o caudal que batiza o projeto do produtor australiano Harley Streten, a faixa traz Damon Albarn aparecendo somente na metade da música para cantar cinco versos. 

Lana Del Rey– “Buddy’s Rendezvous”– Lana regravou uma canção de Father John Misty para acompanhar a versão deluxe do álbum que o artista lançou meses atrás, Chloë and the Next 20th Century. E o casamento não poderia ser mais harmonioso e apropriado: a voz sensual e envolvente cantando sobre relações interesseiras e sórdidas, maquiadas de diversão.

Perfume Genius – “Pop Song”– Dias atrás falamos aqui dia colaboração dos Yeah Yeah Yeahs com o projeto Perfume Genius, de Mike Hadreas. Aqui está uma das faixas do novo álbum do cantor-compositor americano, parte de outra colaboração: desta vez, com a coreógrafa e bailarina Kate Wallich e a companhia de dança The YC.

Naima Bock – “Campervan”– Ex-baixista do quarteto feminino londrino Goat Girl, do qual já falamos aqui, Naima se lança solo deixando à mostra sua ligação com o Brasil (o pai é brasileiro e ela passou parte de sua infância com ele), sem que ela seja óbvia, distanciando-se do pós-punk de seu grupo de origem.  

Bartees Strange – “Heavy Heart”– A música deste cantor-compositor do Oklahoma é tão variada quanto a trajetória anterior de Bartees: ex-astro do esporte, ex-assessor de comunicação e ex-funcionário do governo federal (na administração Obama), tudo antes de conceber o elogiadíssimo From Farm To Table, um segundo álbum rico, de texturas múltiplas, com tintas de rock alternativo, pop progressivo, hip hop e soul.  

Alanis Morissette – “heart–power of a soft heart” – Superestrela pop dos anos 1990, Alanis se reinventou – por tempo limitado? – como artista de ambient music, lançando agora um álbum instrumental, gravado durante a pandemia, dedicado à meditação.

ZZ Top – “Tube Snake Boogie” – Gravado em 2019 para o documentário That Little Ol’ Band From Texas, da Netflix, o show realizado no Gruene Hall sublinha a sonoridade de blues pesado de raiz do trio, quando ainda contava com a participação baixista Dusty Hill, falecido em julho de 2021.