PLAYLIST 15 – A seleção comentada da semana

Military Genius – “L.M.G.D.” – Mistério e sensualidade psicodélica neste projeto do canadense Bryce Cloghesy, lembrando de certa forma o clima e a sonoridade doidona de There’s a Riot Goin’ On, álbum lançado por Sly Stone em 1971.  

Frank Zappa and The Mothers of Invention – “Portuguese Fenders” – Uma de 70 faixas gravadas em 1970 (mas nunca lançadas) por uma formação matadora da banda de Frank, que incluía o tecladista George Duke, o baixista Jeff Simmons, o baterista Aynsley Dunbar, o organista Ian Underwood e a dupla “Flo & Eddie” (na verdade, Howard Kaylan e Mark Volman, dos Turtles). Este registro ao vivo foi feito pelo próprio Zappa para uso próprio.

Brad Mehldau – “L.A. Pastorale” – Como homenagear o presidente da gravadora que durante mais de três décadas deu tanto espaço à música instrumental de altíssimo quilate, depois que ele se aposenta? Chamando os artistas da casa para que cada um grave uma música para piano que o próprio presidente – no caso, Bob Hurwitz, do selo Nonesuch – seja capaz de tocar. Assim nasceu o álbum I Still Play, com participações também de artistas como Pat Metheny , Steve Reich, Randy Newman, Laurie Anderson e Philip Glass.  

Mahmundi – “Vai” – Mundo Novo, o terceiro álbum da carioca Marcela Vale – ou Mahmundi -, solidifica sua assinatura MPB/pop contemporânea com canções elegantes e sedutoras, muitas vezes delicadas, como esta faixa, que encerra o disco. 

Miriam Makeba – “My Yidishe Momme/The Click Song” – Registrada a cappella, somente os vocais, depois de uma coletiva de imprensa na Itália, para promover um concerto contra o crime organizado e o racismo, e acrescida de instrumentação recentemente, esta performance arrebatadora da gigante Miriam Makeba ganha significado especial quando se sabe que aconteceu literalmente horas antes da morte da cantora. 

Yusuf/Cat Stevens – “Where Do The Children Play” – A reimaginação de um disco clássico de 1970, Tea for the Tillerman, um dos tijolos que ajudaram a construir a carreira de enorme sucesso do cantor-compositor, traz versões muito interessantes pela profundidade com que são regravadas e por resultarem do encontro de participantes das sessões originais – o guitarrista Alun Davies e o produtor Paul Samwell-Smith – com novas gerações. 

Ben Harper – “Don’t Let Me Disappear” – Solidão, invisibilidade e isolamento são os temas da meditativa nova música de Ben, bastante apropriada para os tempos atuais. 

Frejat – “Parada de Estrada Vazia” – Tudo bem que Frejat hoje possa curtir cantar mais que tocar, mas na faixa instrumental que encerra Ao Redor do Precipício, seu novo e excelente álbum, ele demonstra sua maturidade e sua alma na guitarra, no violão, no slide, reforçando e homenageando suas raízes blues como poucas vezes fez.  

Deap Lips  – “Home Thru Hell” – Duas bandas – Deap Vally e Flaming Lips – se juntaram para formar o quarteto Deap Lips, combinando o experimentalismo de uma com os colhões da outra.  O resultado é sensacional.

Elvis Costello – “Flag”- “Não tenho  ilusões, não tive epifania, por que deveriam acreditar em mim?”, ruge Elvis, raivoso, em sua nova canção, gravada em fevereiro mas lançada só hoje. Está com raiva? Desiludido? Elvis também.