PLAYLIST 16 – A seleção comentada da semana

Neil Finn, Stevie Nicks, Christine McVie – ”Find Your Way Back Home” – Neil Finn agregou-se ao Fleetwood Mac para excursionar com a banda quando Lindsey Buckingham foi desligado dela (sendo substituído não por uma pessoa, mas por duas: além de Finn, o guitarrista Mike Campbell, da banda de Tom Petty). Aqui, ele juntou suas colegas atuais de estrada para uma canção com cara de Crowded House (e com razão), mas que caberia muito bem no repertório do Mac.

The Waterboys – “My Wanderings in this Weary Land” – Um gostinho e tanto (são quase sete minutos de música) do novo álbum do grupo escocês-irlandês The Waterboys, Good Luck, Seeker, que sai em agosto.

Ronnie Lane, Pete Townshend – “April Fool” – Entre 1976 e 1977, Ronnie Lane – baixista e um dos fundadores do Small Faces, mais tarde The Faces – gravou com Pete Townshend, do The Who, uma preciosidade do rock, o álbum Rough Mix, onde combinaram estilos e colegas (Charlie Watts tem uma participação cintilar na faixa de abertura). Aqui, Ronnie expressa seu lado agridoce com a poesia que se cria a partir da observação de vidas comuns. 

Pete Townshend – “Rough Boys” – Já que estamos falando de Townshend, está na hora de celebrar os 40 anos de seu primeiro álbum-solo, Empty Glass, de 1980 (Who Came First, de 1972, foi mais uma meditação e um caderno de rascunhos do que um álbum, propriamente dito; e uma curiosidade: Ronnie Lane também está lá, cantando). “Rough Boys” abria o álbum com uma apaixonada declaração de amor pelo punk, o estopim para uma reavaliação pessoal e artística que abalou os alicerces de Pete e o motivou a criar um disco robusto, profundo, produzido pelo mesmo Chris Thomas que trabalhara com os Sex Pistols e The Pretenders (mas também com The Beatles e Roxy Music).

Jonathan Wilson – “Reach Out I’ll Be There” – Uma versão californiamente leve e dolente de um clássico dos Four Tops, sucesso de 1967, uma canção de apoio e esperança apropriada para os dias tão estranhos de hoje. 

Sondre Lerche – “Patience” – O norueguês Sondre faz um pop sofisticado, cheio de camadas, com harmonizações precisas e instrumentação que mistura timbres atuais com sonoridades vintage.

Bab L’Bluz – “IIa Mata” – Este quarteto do norte da África faz sua versão do blues, cantando em árabe em cima de um groove pesado, parte do movimento “nayda” (título de seu álbum de estreia), onde a garotada de lá usa o dialeto local para fazer músicas sobre liberdade, com letras anti-racismo. 

Sam Cooke – “A Change Is Gonna Come” – Quando escutou “Blowin’ in The Wind”, de Bob Dylan, Sam Cooke, um cantor de gospel que havia tornado-se astro pop com sua voz aveludada e sua boa pinta, sentiu vergonha. Como ele não havia escrito uma canção de protesto que tocasse tão fundo nos problemas sociais de seu país, ainda mais sendo ele negro e Dylan branco? Sam, assim, escreveu esta música, que, ironicamente, seria lançada em disco após sua morte prematura, em 1964, e no lado B da dançante “Shake”. Com o crescimento nos Estados Unidos do movimento pelos direitos civis, a canção ganhou maior atenção e amplitude, tornando-se um marco, regravada por artistas como Aretha Franklin, Seal, The Neville Brothers, Tina Turner e Lizzo.

Luana Carvalho – “Meu Escudo” – Luana mergulha no repertório de músicas de carnaval da mãe, Beth Carvalho, uma das grandes damas do samba, morta em abril de 2019. Produzida por Kassin, redireciona pérolas antigas, como essa música, samba de Delcio Carvalho e Noca da Portela, que ganha surpreendente arranjo com harpa, tocada por Cristina Braga. E tem tudo a ver. 

“Save the Whale”- JARV IS – Soa como Leonard Cohen, mas é Jarvis Cocker incorporando o bardo canadense. E, de fato, a música foi inspirada pelo que Cocker viu no documentário Marianne & Leonard:Words of Love