PLAYLIST 27 – A seleção comentada da semana

Joe Jackson – “Music to Watch Girls By”- Standard pop desde seu lançamento, em versão instrumental, pelo trompetista Al Hirt, em 1966, a longevidade dessa música é atestada pelas inúmeras regravações que teve, por artistas tão variados quanto The Ventures, Chet Atkins e até Leonard Nimoy, o Spock em pessoa. Jackson pegou a pista da versão cantada, originalmente gravada por Andy Williams, em 1967, e deu seu toque jazzístico pós-new wave (quem lembra?).

The Allman Betts Band – “Pale Horse Rider” – Dois guitarristas, filhos de dois ex-companheiros de banda que viraram inimigos para o resto da vida, resolvem se juntar e formar sua própria banda, trazendo para a mistura o pedigree musical e os ecos dos atritos do passado. É essa a gênese do grupo formado por Devon Allman (filho de Greg) e Duane Betts (filho de Dickie Betts), que acaba resultando numa atualização do rock sulista dos genitores, misturada com um tanto de Kings of Leon. 

Matt Berry – “Something In My Eye”- Um ator de comédias que resolve compor e cantar não é algo comum e as suspeitas da transição não dar certo são compreensíveis. No entanto, Matt – estrela da TV inglesa e fã de Simon and Garfunkel e Fleet Foxes – faz um folk-pop com um quê de vintage que não decepcionaria suas influências.

Brad Mehldau – “Don’t Let it Bring You Down” – Uma delicada releitura jazzística de um clássico de Neil Young é uma das três covers contidas num álbum composto e gravado em Amsterdam, predominante de “ruminações”, nas palavras do próprio pianista, sobre as emoções e os novos sentimentos trazidos pela pandemia do Covid-19.  E a renda dos disco reverterá para a Jazz Foundation of America, que ajuda a minorar as dificuldades financeiras por que passam atualmente os músicos. 

Michael Landau – “Dust Bowl-Live”- Você já deve ter ouvido a guitarra de Landau em discos de artistas como Michael Jackson e Pink Floyd. Aqui, o veterano músico de estúdio flexiona seus músculos num jazz-blues melódico, gravado ao vivo no The Baked Potato, em Los Angeles. 

Celeste – “Little Runaway”- Acompanhada apenas de piano, a estrela britânica do soul usa seu vozeirão para meditar sobre a existência de anjos da guarda.

Fabiano Araruna – “Irmão do Mar” – O primeiro álbum de Fabiano traz rock alternativo carioca que incorpora elementos de outras linguagens, misturando português e inglês num repertório que era para ser sua despedida do Rio de Janeiro, mas que acabou virando uma reflexão agridoce sobre seus sentimentos pela cidade, onde permaneceu. 

Anjimile – “Baby No More”- Cantor-compositor trans baseado em Boston, Anjimile consegue fazer de uma canção sobre rompimento uma faixa animada e contagiante.

Margo Guryan – “Sunday Mornin’” – Margo foi uma cantora-compositora extremamente ativa na década de 1960 que preferia o estúdio aos palcos. Com músicas de soft pop gravadas por artistas como Bobby Sherman, Bobbie Gentry, Glen Campbell, Jackie DeShannon, Mama Cass, Harry Belafonte e até Astrud Gilberto, Margo estourou com esta canção, a cara da época, quando foi lançada pela banda Spanky and Our Gang, e aqui aparece em versão deliciosamente mono da própria Muryan.

John Lennon – “Instant Karma (We All Shine On)”- Primeiro single do pacotão de remixagens (algumas anunciadas como “radicais”) de 36 das músicas mais conhecidas da carreira de Lennon depois dos Beatles, que será lançado na data que marca os 80 anos de nascimento de John. Uma porrada em 1970, quando saiu. Igualmente porrada hoje, quase meio século mais tarde.