PLAYLIST 36 – A seleção comentada da semana

Karen O., Willie Nelson – ”Under Pressure”- Perfeito antídoto/lembrete para o momento atual, esse cover do superhit do Queen e David Bowie combina a voz de melado e cascalho de Willie com a ternura de Karen, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs, num arranjo dolente e tenro.

Terje Rypdal – “As If The Ghost … Was Me?”- Um dos luminares do selo de jazz progressivo ECM (que também edita discos de músicos como Egberto Gismonti e Keith Jarrett), este guitarrista norueguês veterano esbanja inspiração e criatividade no primeiro álbum de estúdio que lança em duas décadas.

Gong – “You Can’t Kill Me” – Rock progressivo com pitadas de jazz, muito experimentalismo e doideiras variadas, feito por um dos grupos mais representativos da contracultura rock europeia das décadas de 1960 e 1970.

A Barca do Sol – “A Barca do Sol”- Permanecendo um pouco mais no mesmo período de tempo, aqui está o folk pastoral carioca de uma das bandas mais cultuadas do circuito underground do Rio de Janeiro, de duração curta mas de existência marcante. 

Kevin Godley – “Expecting a Message” – O wunderkind que deu ao mundo pop barroco (como integrante da banda 10CC) e vídeos seminais (como “Every Breath You Take, do Police) lança agora, aos 75 anos, seu primeiro álbum solo, repleto de pop idiossincrático, criado de forma colaborativa com mais de uma dezena de outros artistas.

The Who – “Squeeze Box” – Uma das faixas bônus da reedição deluxe do álbum WHO, de 2019, gravada ao vivo, em versão acústica, esta é uma aparição rara de uma música divertida e sacana do álbum Who By Numbers, de 1975. 

North Americans – “Rivers That You Cannot See”- Meditativo, minimalista, quase uma canção de ninar de um artista – Patrick McDermott, aqui acompanhado por Barry Walker na pedal steel guitar  – que abriu mão de sons eletrônicos por outros mais orgânicos e calorosos para fazer seu som ambient

Cabaret Voltaire – “The Power (Of Their Knowledge)”- Foi preciso esperar “apenas” 26 anos por um novo álbum de um das bandas icônicas do pós-punk britânico. 

Vagabon – “Home Soon” – Vagabon – nome de plume da artista Laetitia Tamko, americana com raízes na República dos Camarões, na África – empresta sua voz almiscarada e potente ao clímax da trilha do filme Antebellum, ecoando a mensagem de libertação e de combate à opressão do racismo do longa estrelado por Janelle Monáe.

Guilherme Held – “Tempo de Ouvir o Chão”- O primeiro álbum solo do guitarrista paulista abre com ecos da sonoridade mineira de Beto Guedes e, versátil, se espalha por uma variedade de estilos, cercado de um punhado de participações especiais, de Ná Ozzetti a Criolo ao genial Lanny Gordin, uma de suas grandes influências. Para ser devidamente degustado. Aos poucos.