PLAYLIST 40 – A seleção comentada da semana

Jon Anderson – “Go Screw Yourself”- Aos 76 anos, o  ex-vocalista do Yes surge rejuvenescido e sanguíneo nesta faixa-solo pesadíssima, anti-armas, anti-corrupção, onde ele surpreende injetando até mesmo um rap na mistura!

Errol Linton – “No Entry” – Erroll é um adorado veterano da cena de blues inglesa e aqui aparece num álbum gravado ao vivo no estúdio, comendo sua gaita com farofa! 

Duke Ellington – “Track 360” – Do blues para o jazz. Não é a única composição do gênio Duke sobre trens – “Take The A Train” (usada, aliás, para anunciar a chegada dos Rolling Stones ao palco, durante sua turnê americana de 1981) está aí para nos lembrar disso. Mas esta versão, gravada em 1959, com a grande banda de Ellington à toda, é pura energia, propulsionada pela bateria de Sam Woodyard.  Todos a bordo!

The Hold Steady – “Family Farm”- O sexteto do Brooklyn chega rugindo com a primeira faixa de seu oitavo álbum, Open Door Policy, gravado antes da pandemia. A citação a “Eruption”, do Van Halen, logo no início, é, portanto, uma coincidência, e não uma homenagem póstuma a Eddie. 

Sorry – “Right Round The Clock” – Grian Chatten, vocalista do Fontaines D.C. (sobre o qual você já leu aqui), disse à revista MOJO que o o álbum da banda indie londrina Sorry foi uma das melhores coisas que ouviu em 2020.  Vai duvidar? 

King Crimson – “The Court of the Crimson King”- A noite de 15 de dezembro de 1969 mudou para sempre a história do rock progressivo. O King Crimson – com Greg Lake no baixo e nos vocais – se apresentava no Fillmore West, em São Francisco. Na plateia estava o tecladista Keith Emerson. Greg e ele se conheceram, plantando as sementes para o trio Emerson, Lake & Palmer. Este registro do show daquela noite fatídica faz parte do caixote Greg Lake-The Anthology-A Musical Journey, que cobre todas as diferentes fases da carreira de Greg, morto em 2016. 

Loma –  “Homing” – Essa música do segundo álbum do trio texano é uma colaboração com Brian Eno, fã do grupo e produtor dessa faixa, que traz seus sons de sintetizador e programação de bateria. O resultado é como de se esperar:  viajandão, misterioso, envolvente.

Larkin Poe – “Nights in White Satin”- A dupla feminina, baseada em Nashville, gravou Kindred Spirits, um álbum todo de versões, como essa aqui, de um clássico do repertório do britânico Moody Blues.

Nils Frahm – “Fundamental Values”- Trecho de Tripping with Nils Frahm, filme que reproduz show registrado em Berlim, em dezembro de 2018,  traz o compositor, produtor e instrumentista alemão Nils bem distante dos solos de piano, mergulhando na música eletrônica.

George Harrison – “All Things Must Pass” – Isso eu sei porque George me disse pessoalmente: “Foi como se eu tivesse uma prisão de ventre, e, finalmente, conseguisse ir ao banheiro, um alívio”. Naquela tarde de março de 1979, na sede da gravadora Warner, no Jardim Botânico, bairro do Rio de Janeiro, Harrison se referia a All Things Must Pass, seu álbum triplo, profundo, sofisticado, variado, majestoso, lançado em 1970, um assombro pelo volume do conteúdo (28 músicas), pela qualidade da produção (feita por Phil Spector), pelo elenco (Eric Clapton, Ringo Starr), pelas parcerias (Bob Dylan, em “If Not For You”), e pelo tanto que talvez nunca viesse à luz do dia se dependesse de John e Paul. Cinquenta anos depois de seu lançamento, o álbum está prestes a ganhar versão aumentada (!!!), super deluxe e remixada. Essa é a primeira amostra – embora, cá entre nós, eu talvez prefira a mixagem original, por mais que me agradem as descobertas de vozes e guitarras que estavam escondidas e agora aparecem realçadas.