PLAYLIST 46 – A seleção comentada da semana

R. L. Burnside – “Fireman Ring The Bell” – Gravado em 1988, esse álbum do veterano bluesman  do Mississippi, um craque da guitarra – morto em 2005, aos 79 anos –, mostra  aqui sua classe no violão e no slide. Blues de raiz, em estado puro abrindo a playlist.

Alostmen – “Teach Me” – Este grupo de Gana utiliza de forma predominante o kologo, instrumento de duas cordas (cujo corpo é feito a partir de uma lata dessas grandes de tinta) e faz uma música que sublinha a ligação da música negra americana (como o blues e o rap) e o reggae, num genial fechamento de circuito. 

Black Country, New Road – “Track X” – Outro grupo que mais parece uma aglomeração, este septeto de Londres vem sendo tratado como uma das melhores novidades dessa virada de ano para os lados de Albion e faz um som singular, descrito pelo jornal The Guardian como cerebral e eclético. 

Vagabon, Courtney Barnett – “Reason to Believe” –Laetitia Tamko, a Vagabon, americana com raízes na República dos Camarões, na África, uniu-se à australiana Courtney para regravar um clássico de Tim Hardin, lançado originalmente em 1966 e parte do repertório de muita gente, como Rod Stewart e os Carpenters.  

Death Cab for Cutie – “Fall On Me” – O grupo americano liderado por Ben Gibbard gravou um EP beneficente, cuja venda reverteu ajudou a eleger os dois candidatos democratas do estado da Georgia ao senado americano. A dupla de políticos tomou posse essa semana em Washington, e nós ganhamos covers como esse, de uma da mais lindas canções do R.E.M. 

Duke Ellington – “Take The A Train” – Uma das assinaturas desse gigante da música americana, essa música era o tema que precedia e anunciava a entrada no palco dos Rolling Stones durante sua turnê de 1981.  Aqui ela aparece numa versão gravada em 1966, no Juan-les-Pins/Antibes Jazz Festival, na Côte d’Azur, defronte ao Mediterrâneo. O registro está sendo reeditado agora, em versão aumentada, e mostra Duke no vigor de seus 67 anos, ainda quebrando tudo com sua sublime orquestra. 

Buke & Gase, Sō Percussion– “Diazepam (Edit)” – Uma dupla de pop experimental junta-se a um quarteto erudito de percussão contemporânea (todo mundo do Brooklyn) e dá nessa criatura etérea, misteriosa, sedutora, que alivia e acalma, como promete o ansiolítico do título.

Scratched Lanyard – “Dry Cleaning” – O quarteto londrino tem um quê de Pretenders vintage, puxando no “singspeak”, a forma de cantar falando esse letra surreal. E preste atenção na menção ao Rio de Janeiro. 

Mush – “Seven Trumpets”– E tome mais singspeak – ou quase. Vem de Leeds o trio apoiado em guitarras empilhadas em uníssono, com um vocalista, Dan Hyndman, que lembra muito Mark E. Smith e John Lydon.

Jane Weaver  – “Heartlow” – Jane não é uma novata. Alimentada pelo que ouviu de Kate Bush, bandas de heavy metal e prog, desde a década de 1990 ela milita no rock indie. Em seu novo álbum solo, ela expande os limites de seu pop sofisticado, de densas texturas.