PLAYLIST 49 – A seleção comentada da semana

Lucky Peterson – “Lucky in Love”– Essa versão bem funky de uma das faixas do bem-mais-ou-menos primeiro álbum solo de Mick Jagger brinca com a relação do título e o nome do cantor (morto ano passado), numa gravação de 2003, com a participação do craque Bill Laswell no baixo e na produção e do baterista Jerome “Bigfoot” Brailey, do Parliament e do Funkadelic. 

Martin Barre – “Locomotive Breath” – Nos 50 anos de lançamento do seminal álbum Aqualung, Martin Barre, guitarrista que deixou o Jethro Tull após quase meio século de serviços prestados, gravou releituras de algumas músicas do catálogo de sua antiga banda. Nesta versão acústica (e sem flauta!) ele é acompanhado pelas vozes de Alex Hart e Becca Langsford. 

Little Steven/The Disciples of Soul – “Slow Down” – Little Steven levou sua banda à fonte, realizando em 2017, no Cavern Club, em Liverpool, um show onde o repertório consistia apenas de músicas dos Beatles, que no início dos anos 1960 solidificaram naquele mesmo palco sua fama local, antes de conquistarem o mundo. Se bem que o Carven de hoje não é exatamente o mesmo, mas uma reconstrução, uma vez que o original foi demolido para dar lugar a … um estacionamento. Mas isso já é outra história. 

Foo Fighters  – “Medicine at Midnight” – O décimo álbum do Foo Fighters foi feito para marcar os 25 anos da banda, no ano passado. Mas veio a pandemia e o lançamento foi adiado. Agora, ele é descrito por Dave Grohl como “nosso disco de sábado à noite”. Aqui, na faixa-título, o solo de guitarra ecoa outro disco com alma parecida, pois lembra muito Stevie Ray Vaughn em “Let’s Dance”, de David Bowie. 

Odette – “Herald” – Produzida mais uma vez por Damian Taylor (que já trabalhou com Björk, The Killers e Arcade Fire), a australiana de Sydney faz um pop cintilante mas perturbador (com ecos de Kate Bush) em seu segundo álbum.

Nick Walters – “Implicate Order”– Novidade do trompetista e compositor londrino, que se cerca de um bandão de 11 integrantes (!!!), Paradox Ensemble, para combinar jazz com inflexões de diferentes idiomas musicais. 

Hayley Williams – “Wait On” – Vocalista do Paramore, Hayley toca todos os instrumentos e registrou sozinha, em casa, esse seu segundo álbum solo, meditativo, delicado, quase frágil, de tinturas folk bem distantes do pop-rock de sua banda de origem.  

Tori Handsley – “What’s in a Tune” – Quantas músicas você conhece que começam turbinadas por um solo de baixo feroz, efeitadão, para, um minuto e meio depois, metamorfosear em um solo delicado de harpa? Bem-vindos ao jazz alternativo da londrina Tori, a harpista em questão. É difícil você ter ouvido algo parecido antes. 

Kali Uchis – “aguardiente y limón” –  Ela estaria falando de caipirinha? Com raízes familiares na Colômbia, mas nascida nos Estados Unidos, Kali faz uma mistura de estilos (pop, R&B retrô, música regional latino-americana, até bolero) em seu segundo álbum, o primeiro cantado em espanhol. 

Liquid Tension Experiment – “The Passage of Time”– A playlist fecha descaradamente prog com a nova do quarteto pop up formado pelo tecladista Jordan Rudess com o guitarrista John Petrucci (ambos fazem o metal progressivo do Dream Theater), o baixista Tony Levin (veterano de King Crimson e Peter Gabriel, para citar alguns) e o baterista Mike Portnoy (da Neal Morse Band). É pau puro, porradaria comendo solta, riff empilhado em cima de riff, às vezes na velocidade do som.