PLAYLIST 60 – A seleção comentada da semana

The Black Keys – “Crawling Kingsnake” – A celebradíssima dupla formada pelo guitarrista, vocalista e produtor Dan Auerbach e o baterista Patrick Carney dedica seu décimo álbum a covers de blues do repertório de grandes como R. L. Burnside, Junior Kimbrough e Big Joe Williams. “Crawling Kingsnake” é um clássico originalmente gravado por John Lee Hooker, em 1949.

The Amazing Snakeheads – “Flatlining”–  Descobri esse trio de Glasgow por acaso, ouvindo a BBC 6, e chamou a atenção o blues elétrico cru, sujo e potente da banda, um misto de Captain Beefheart e Stooges. Mas só depois soube que o grupo foi extinto em 2018, com a morte de seu fundador e frontman, o guitarrista e vocalista Dale Barclay, e que essa faixa era de seu único álbum, Amphetamine Ballads, de 2014. Um achado precioso, mas com um gostinho agridoce. 

Bill Callahan, Bonnie Prince Billy e Ty Segall – “Miracles” – Três dos mais prolíficos músicos do rock indie entraram numa de emular Sly Stone em talvez sua fase mais doidona, reproduzindo a sonoridade e o jeito de se cantar da faixa “Just Like A Baby”, do álbum genial There’s A Riot Goin’ On, de 1972, justamente numa cover de uma canção gospel positivista do cantor Johnnie Frierson, daquela mesma década. 

The Mysterines – “Who’s Ur Girl” – Paul Weller – o eterno Modfather – foi convidado para dar pitacos na mais recente edição da revista Mojo, cuja capa ele enfeita (na versão que circula no Reino Unido). Como um dos privilégios do cargo temporário, pode apresentar aos leitores de publicação britânica alguns de seus artistas favoritos. Esse quarteto de Liverpool é um deles. Formado pela vocalista e guitarrista Lia Metcalfe (que soa como uma versão atualizada de P.J. Harvey) e o baixista George Favager, o grupo soa feroz e indomado nessa faixa de seu EP do ano passado. 

Working Men’s Club – “X” – Um dos grandes baratos de se entrar numa loja de discos em Londres em anos passados era chegar lá e ser surpreendido por um som novo e extremamente estimulante que tocava na loja, apresentando aos compradores a mais recente novidade. Essa nova música do quarteto de Yorkshire, na Inglaterra, me lembrou aquela sensação de descoberta e de excitação. Primariamente pela produção estilosa, parruda, com ecos dos anos 1980. Pode nem ser nada de mais, no fim das contas, mas vale pelo confeito pop de impacto imediato e grande. 

Parker Millsap – “The Real Thing” – Do Oklahoma, Parker faz uma mescla de country, rock, blues e folk, com um lustro inde pop acentuado em seu novo álbum, BE HERE INSTEAD, cortesia de John Agnello, produtor de gente como Kurt Vile e Waxahatchee.

Declan O’Rourke – “The Harbour” – Outro favorito de Paul Weller é um velho chapa seu, o irlandês Declan, que combina a sofisticação de uma Joni Mitchell com o pendor e a capacidade de transformar histórias corriqueiras em sagas românticas, como um Bruce Springsteen.

Gruff Rhys – Loan Your Loneliness” – Enquanto seu grupo e origem hiberna, o galês do Super Furry Animals surge novamente solo, com um prog-pop retrô que caberia perfeitamente em 1974, todo envolto em sintetizadores Moog. O tema – que se estende todo pelo novo álbum, Seeking New Gods – não poderia ser mais prog: um vulcão imaginário. 

Ballaké Sissoko – “Kadidja”– Ballaké, de Mali, toca a kora, instrumento de corda africano, e acabou de lançar um álbum em que colabora com uma variedade de artistas, como o conterrâneo Salif Keita e, no caso dessa música, Piers Faccini, instrumentista e pintor britânico, com quem criou uma espécie de mantra circular, hipnótico.

Lukas Nelson and Promise of the Real – “Perennial Bloom (Back to You)” – A banda do filho de Willie – que também já acompanhou Neil Young – antecipou uma das faixas de seu oitavo álbum, Few Stars Apart, que sai em junho, uma música otimista, solar. Um banho de alto astral country-rock para esses tempos tão sombrios.