PLAYLIST 68 – A seleção comentada da semana

The Killers – “Dustland” – A banda de Las Vegas regravou sua música de 2008, “A Dustland Fairytale” –dessa vez, com Bruce Springsteen a bordo, acrescentando maior dramaticidade e uma levada épica para sublinhar a homenagem que o cantor Brandon Flowers faz aos próprios pais na canção.

Sheryl Crow – “Nobody’s Perfect” – Sheryl gravou em 2019 um álbum ao vivo no Ryman Auditorium, palco histórico em Nashville e ex-lar do tradicional evento de música country dos Estados Unidos, a Grand Ole Opry, trazendo para compartilhar muitas das músicas registradas uma variedade de artistas que vai de Stevie Nicks, Waddy Wachtel e Steve Jordan a Brandi Carlile, Lucius e Emmylou Harris, que canta essa faixa com ela.

Katherine Priddy – “Eurydice” – Instrumentos ao contrário, loops fantasmagóricos, misteriosos, e vocais arrepiantes abrem as portas para o primeiro álbum de Priddy, The Eternal Rocks Beneath, que sai hoje. O EP de Katherine, lançado em 2008, foi considerado pelo mestre Richard Thompson a melhor coisa que ouviu naquele ano. Para o jornal The Guardian, ela é “um prodígio”. Tudo isso dá ainda mais prestígio ao folk progressivo dessa jovem inglesa. 

Paul Haslinger – “Emerald” – Ex-integrante de uma das fases mais recentes do Tangerine Dream, banda icônica do rock progressivo da década de 1970, Paul faz música ambiental que convida a imaginação a uma hipnotizante viagem sonora, misturando piano e instrumentos eletrônicos. 

Hater – “Bad Luck” – Indie-pop sueco cheio de atitude (com um nome desses …), embalado pelos vocais etéreos de Caroline Landahl.

Marinero – “Through The Fog” – Há um tantão de música brasileira na assinatura musical de Marinero (o nome artístico de Jess  Sylvester) em seu “disco de amor” ao norte da Califórnia, seu antigo lar. Mas há muito também de México, onde tem raízes familiares e culturais.

Lord Huron – “Not Dead Yet” – Indie-rockabilly com enorme senso de humor negro (“estou com um pé na cova, mas ainda não estou morto”) da banda de Los Angeles que chegou ao primeiro lugar da Billboard, pela primeira vez, com essa música. 

Cedric Burnside – “Step In” – Neto do grande bluesman R.L. Burnside, sobre quem você já leu aqui meses atrás, Cedric vai pelo mesmo caminho, com um blues enxuto, de raiz, cortante. 

John Hiatt – “Mississippi Phone Booth” – Minha paixão por John Hiatt é antiga. Sua voz rascante, de quem já viveu (e sofreu) um milhão de anos, e seu sofisticado misto de rock, country e blues – solo ou em combos como o sensacional (embora de vida mínima) Little Village, ao lado dos titãs Ry Cooder, Jim Keltner e Nick Lowe – resultam num som Americana clássico e perene. Aos 68 anos,  John lança agora  um álbum com Jerry Douglas, cracaço da guitarra lap steel, todo gravado de primeira, ao vivo, nos estúdios da RCA, em Nashville. 

Family – “Burlesque” – Monstro, dentre os vocalistas britânicos da década de 1960 para cá, Roger Chapman se destaca por alternar entre arrebentar as cordas vocais nas horas de blues-rock pesado e partir o coração do ouvinte nas baladas. Descobri sua banda, Family, bem tarde, em 1972,  através do álbum Bandstand, de capa genial. O disco todo é um estrondo, mas a faixa de abertura já faz a declaração de princípios do álbum, impulsionada pelo baixo do falecido John Wetton (mais tarde, integrante do King Crimson, numa das melhores fases), pela bateria de Rob Townsend – e pelo vozeirão de Chapman. Aliás, Roger tem hoje 79 anos e acaba de lançar um novo álbum solo. Mas isso já é assunto para outra playlist. 

Ouça aqui a playlist.