PLAYLIST 72 – A seleção comentada da semana

Blondie – “The Tide is High” – Em 2019, Debbie Harry e banda tocaram em Havana, como parte do grande influxo de artistas pop e rock que se apresentaram na ilha após a melhoria das relações entre Cuba e Estados Unidos. O registro dessa apresentação no Teatro Mella está disponível agora num documentário, que estreou no Tribeca Film Festival, e em áudio – um EP com seis músicas, como essa versão super latinizada, turbinada por congas e metais, de um dos maiores sucessos do grupo, com direito a uma citação de “Groove is in The Heart”, do trio Deee-Lite. 

Shovels & Rope – “In My Room” – Pela terceira vez a dupla formada por Michael Trent e Cary Ann Hearst grava um álbum todo de covers. Aqui, juntam-se a Sharon Van Etten para revisitar um clássico dos Beach Boys, criando uma versão suntuosa de uma canção originalmente intimista. 

Matt Berry – “Summer Sun” – Ator e músico, nesta faixa de seu eclético (e bem prog) novo álbum – o recém-lançado Blue Elephant – o britânico Matt mergulha de cabeça numa sonoridade sixties, da guitarra de 12 cordas reminiscente dos Byrds à mixagem posicionando os instrumentos no espectro sonoro à moda antiga, ao flanger extremo no final. Apropriado para um artista que diz preferir ouvir apenas discos feitos entre 1969 e 1975.

Big Thief – “Little Things” – O novo single da banda do Brooklyn traz a vocalista Adrianne Lenker alternando-se entre os altíssimos e os baixíssimos de uma paixão.

Bon Iver – “Babys”– Os 10 anos de lançamento do segundo álbum de Justin Vernon usando seu nom de plume estão sendo celebrados com uma edição especial que inclui regravações de cinco faixas no estúdio AIR, com Vernon e Sean Carey (originalmente, um baterista) – alternando-se entre voz e piano.

Unknown Mortal Orchestra – “That Life” – Psicodelismo pop neo-zelandês inspirado numa pintura de Hieronymus Bosch (não confundir com o detetive americano da sensacional série de mesmo nome, baseada nos livros de Michael Connelly, uma das melhores coisas disponíveis no Prime Video da Amazon).

My Morning Jacket – “Long As I Can See The Light” – Por falar em Bosch, vamos à música que fechou sua sétima (e última) temporada, uma versão de um super clássico do Creedence Clearwater Revival, aqui interpretado pelo Morning Jacket, com a participação de seu compositor, John Fogerty, parte de uma coleção de regravações de seus sucessos lançada em 2013. Et pour cause: é uma música de resiliência, de reinvenção, de olho no futuro.

Big Red Machine – “The Ghost of Cincinnati” –  E olha Justin Vernon aqui de volta, dessa vez como parte do grupo que lidera com o igualmente irrequieto Aaron Dessner, compositor e músico do The National. É um combinado variado de colaboradores que inclui desde Robin Pecknold, do Fleet Foxes, a Taylor Swift, para quem essa música foi originalmente composta. 

Tia Carroll– “Never Let Me Go” – E para temperar bem a playlist da semana, o vozeirão e o veneno de uma californiana veterana do blues e do soul que se apresentou recentemente em São Paulo e que agora lança seu novo álbum, You Gotta Have It

The Rolling Stones – “Living in The Heart of Love”–  Uma das nove inéditas da reedição de Tattoo You, o álbum lançado originalmente em agosto de 1981, que sai em outubro. Seguindo o velho modelo de adicionar novos vocais e novas guitarras às gravações feitas nos anos 1970, embaladas numa mixagem século 21, o novo caixote pinça no baú dos Stones esta e outras raridades, como as versões de “Drift Away”, clássico de Dobie Gray, “Shame, Shame, Shame”, do bluesman Jimmy Reed, e o protótipo de “Start Me Up”, quando ainda era um reggae. Em “Living in The Heart of Love” o timbre das guitarras e os vocais localizam a gravação em algum momento entre 1973 e 1974. O que faz todo sentido: o repertório de Tattoo You é composto de gravações feitas em diferentes momentos dos anos 1970 e em 1980 que foram costuradas e mixadas com maestria por Chris Kimsey, que deu a elas uma unidade sonora e uma personalidade perene.