PLAYLIST 75 – A seleção comentada da semana

Shannon & The Clams  – “Midnight WIne” – Quando quiser exemplificar a expressão “retrofuturista” basta ouvir o novo álbum desse quarteto californiano, Year of the Spider. Produzido pelo incansável Dan Auerbach, o grupo mescla sonoridades do passado – imagine os conjuntos vocais femininos dos anos 1950 – e uma atitude moderna, indie, criando um amálgama rico e constantemente surpreendente, com destaque para os vocais de Shannon Shaw, entre doces e rascantes. 

Norah Jones – “Black Hole Sun” – Um dos destaques do álbum ao vivo gravado por Norah entre 2017 e 2019 – `Til We Meet Again , que contém apresentações no Brasil e uma parceria com Rodrigo Amarante, “Falling”– é essa versão de um dos clássicos do Soundgarden, gravada no Fox Theatre, em Detroit, dias após a morte de Chris Cornell.

Patti Smith – “Blame It On the Sun” –  Patti tem uma longa relação com Electric Lady Studios, construído por Jimi Hendrix no Greenwich Village, em Nova York, e até hoje um dos ícones da indústria do disco. Foi lá onde ela gravou seu primeiro álbum, Horses, em 1975. E foi lá onde ela registrou, ao vivo, o novo EP Live At Electric Lady, com novas versões de músicas de seu próprio repertório e covers de canções como esta, cuja gravação original foi feita por Stevie Wonder, seu autor, ali mesmo, para o álbum Talking Book, de 1972.

F. S. Blumm, Nils Frahm – “Raw Chef” – A quarta colaboração entre Blumm e Frahm soa como um encontro fortuito entre o Kraftwerk e Lee “Scratch” Perry.

The Jazz Butcher – “Sixteen Years” – O coletivo comandado pelo britânico Pat Fish construiu, a partir da década de 1980, uma obra eclética e idiossincrática (capaz de ir do punk ao blues,  da balada Fifties ao jazz) que está sendo celebrada agora com o caixote Dr Cholmondley Repents: A-Sides, B-Sides and Seasides, que sai em novembro. Esta faixa está em um dos 4 CD’s do box set e só o refrão – “Te odeio! Te odeio! Te odeio! Te odeio!”– já vale tudo. 

The Ballroom Thieves – “I’m Around” – O trio de Massachusetts envolve suas harmonias folk com o slide plangente de Ariel Posen, criando um efeito pastoral, quase etéreo.

The Besnard Lakes – “Superego” –  O quinteto canadense está de volta com um single encharcado de eco, distorção e mistério, inspirado em vagalumes, cujo título leva o mesmo nome do pedal de efeitos usado pela banda durante a gravação. 

Pictish Trail – “Natural Successor” – Daí pulamos para o século atual e para a Escócia e o pop psicodélico de Johnny Lynch.

Adia Victoria – “Magnolia Blues”– O “gótico sulista” do terceiro álbum da cantora, compositora e poeta Adia vem de Nashville e é uma brisa de frescor no blues americano.

Lady Blackbird – “Beware The Stranger”– Já era para termos falado aqui da “Grace Jones do jazz” do século 21, como Gilles Peterson, DJ da BBC 6, descreveu essa americana cujo verdadeiro nome é Marley Munroe (uma brincadeira com Marilyn Monroe feita pelos pais?). Seu álbum de estreia, Black Acid Soul, saiu em março na Europa, mas só agora está causando sensação nos Estados Unidos, e é uma das grandes descobertas do ano. Ela abre o disco com a música de Nina Simone da qual emprestou o nome (“Blackbird”) e progride com sofisticação, arrojo e ousadia, em busca da fusão que o título do álbum propõe. 

Ouça aqui a playlist.

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