PLAYLIST 79 – A seleção comentada da semana

Sparks – “So May We Start” – A trilha do longa musical Anette, atração do último Festival de Cannes dirigida pelo eternamente arrojado Leos Carax e estrelada por Adam Driver e Marion Cottilard, não poderia ser de nenhum outro senão o duo Sparks. Afinal, os irmãos Ron e Russell Mael – que formam a dupla – são co-roteiristas do filme. Aliás, Anette nasceu originalmente como o conceito para um álbum do Sparks. E aqui os dois mundos – cinema e música – se combinam, com Adam e Marion cantando junto.

Elbow – “The Seldom Seen Kid” – O primeiro single do novo álbum do Elbow, Flying Dream 1, tem o título de um álbum que a banda de Manchester lançou em 2008. É uma quase-valsa romântica cantada magistralmente por Guy Garvey (aliás, o programa que ele mantém na BBC 6 é uma das melhores coisas das tardes de domingo). 

John Sebastian, Arlen Roth – “Darling Be Home Soon” – A regravação desta pérola sixties – uma delicada e sorrateiramente profunda canção de amor que celebrava as pequenas alegrias da vida a dois, feita quando o quarto inicial de vida parecia tempo demais – faz parte da releitura do catálogo do Lovin’ Spoonful empreendida por seu frontman e fundador – John Sebastian –, ao lado do também veterano violonista e guitarrista Roth (antigo colaborador de Sebastian) quando ambos já viveram três quartos (ou mais) de suas vidas, o que adiciona um peso e uma emoção maiores à canção.

Strand of Oaks – “Sunbathers” – O oitavo álbum do projeto de Tim Showalter, In Heaven, reforça a sonoridade Americana cósmica, quase psicodélica, que o caracteriza.

Joan As Police Woman – “Take Me To Your Leader” – O novo álbum de Joan Wasser é um trabalho a seis mãos, realizado com o baterista Tony Allen (antes do decano do afrobeat morrer, em abril do ano passado) e Dave Okumu, cantor, compositor, guitarrista e produtor do The Invisible. A letra, fiel à época em que foi feita, lida com a pandemia, especulando sobre a possibilidade dos Estados Unidos se consultarem com a líder da Nova Zelândia, a Primeira Ministra Jacinda Ardern, para melhor combater o COVID-19.

Brandi Carlile – “Right On Time” – In These Silent Days, o sétimo álbum da cantora-compositora americana, vencedora de três prêmios Grammy, é nada menos que espetacular, eletrizante. Nele, Brandi solidifica sua posição como superestrela, combinando country e rock de forma ao mesmo tempo clássica e refrescante. Sua voz e sua emoção brilham nessa faixa quase operística, de arrepiar. 

Miko Marks– “Hard Times” – “Race records” era o termo usado para classificar os discos de blues, gospel e jazz gravados e lançados por artistas negros nos Estados Unidos. Um termo racista, segregacionista, criado por um show-business predominantemente branco. Race Records é também o nome do novo EP de Miko Marks, uma artista negra dedicada à música country, gênero associado a um elenco de artistas predominantemente branco. Ao lado de sua banda – The Resurrectors -, ela se apropria de clássicos do country, acrescentando tonalidades gospel e blues e, com isso, novos significados a essas músicas.

Ney Matogrosso – “A Estrada Azul” – A coletânea recém-lançada pela Warner Music para celebrar os 80 (!!!) anos de Ney Matogrosso traz essa raridade: a primeira gravação do artista, feita em 1970 para o filme Pra Quem Fica … Tchau, dirigido por Reginaldo Faria – portanto, pré-Secos & Molhados. O grande barato, no entanto, é verificar como a voz de Ney é hoje praticamente a mesma, límpida, cristalina. 

Gustavo Infante – “Canoa de Dentro”– Daí viajamos meio século à frente e encontramos esse mineiro que grava seus loops, efeitos e voz cheia de eco (como a de Ney, agora há pouco) usando fitas cassete, com um resultado entre misterioso e etéreo.

Anna B Savage – “A Girl Like You”– Essa nova versão para o hit-assinatura de Edwyn Collins faz parte do novo EP de Anna, These Dreams. Se o original era divertido e sexy, a cover de Savage torna a música quase grilante.