PLAYLIST 82 – A seleção comentada da semana

Guided by Voices – “Dance of Gurus” – Adoro o título do 34º (!!!!) álbum (e o segundo esse ano) dos veteranos indie rockers de Ohio: ‘It’s Not Them. It Couldn’t Be Them. It Is Them!’ (Não São Eles. Não Podem Ser Eles. São Eles!). E aqui, como em todo o disco, é pau puro, com sangue nos olhos. Aumenta aí!

AHI – “Full Circle” – Cantor-compositor de Toronto, AHI tem nome de peixe e uma voz que combina a virilidade vulnerável de Bob Seger e o soul profundo de Ted Hawkins em seu emocionante novo álbum, Prospect, todo gravado em Nashville. 

Terrace Martin – “Leave Us Be” – Como é refrescante e contagiante Drones, o novo álbum solo de Martin, compositor, produtor e multi-instrumentista que trafega com igual desenvoltura colaborando com diferentes artistas em diverso idiomas musicais, do jazz de Kamasi Washington ao rap de Kendrick Lamar. Aqui, lambido pelos ventos de Los Angeles, enquanto trafega pela 405, Martin evoca um riff de baixo de 45 anos atrás para criar um hit instantâneo de rhythm and blues dolente e state-of-the-art. 

Boz Scaggs – “Lowdown”– E como aqui a gente mata a cobra e mostra o pau, cá está o riff de baixo do megahit de Boz, citado aí em cima, como apareceu na faixa mais conhecida do álbum Silk Degrees, que catapultou Scaggs ao superestrelato. Quem toca no original de 1976 é David Hungate. Junto com outros músicos que participaram do disco de Boz, como o baterista Jeff Porcaro, David formaria o Toto, banda que dominou as rádios e as paradas com “Rosanna” e Africa”.

Parcels – “Famous” – E para engrossar fileiras na ala dance da playlist, uma amostra da disco music século 21 do grupo australiano que soube o que aprender de predecessores como Chic e Sylvester.  

Susanna Hoffs – “Name of the Game”– Voz, guitarra e composição das Bangles – grupo feminino de Los Angeles cujo auge, na década de 1980, gerou hits como “Walk Like An Egyptian”, “Eternal Flame” e “Manic Monday” (composição presenteada por Prince), Susanna dá um gostinho de seu novo álbum de covers, Bright Lights, duetando com nossa eterna musa Aimee Mann numa nova versão de uma música do Badfinger, lançada originalmente em 1971. 

Courtney Hartman – “Marrow” – A Americana de Courtney – cantora-compositora do Colorado – é idiossincrática, singular, com toques e sonoridades surpreendentes. O fato de que ela mesma opera a mesa de som e se produz diz muito a respeito de uma determinação para fazer sua música exatamente como quer.

Tems – “Found” – Se estivesse cantando em português, Tems seria carioca. O R&B dessa jovem nigeriana tem um balanço que cabe bem no Rio de Janeiro, com cheiro de mar e calor de sol de fim de tarde.

Tasha – “Dream Still” – E se fosse homem, Tasha seria Jeff Buckley. De Chicago, a cantora-compositora sua como Jeff e traz em suas composições graus semelhantes de romantismo e melancolia. 

Diana Ross – “Thank You”– A mega diva do pop e do R&B ressurge com seu primeiro álbum de inéditas em 20 anos, produzido (com uma ênfase exagerada nos timbres agudos) pelo onipresente Jack Antonoff. Bem-vinda de volta!