PLAYLIST 83 – A seleção comentada da semana

Julie Doiron – “You Gave Me The Key” – A canadense Julie é daqueles artistas que não param, participando do maior número possível de grupos e ainda assim encontrando tempo para fazer álbuns individuais. Aqui ela apresenta uma faixa de seu primeiro disco solo em quase 10 anos, indie rock descontraído e positivista, representativo de um novo começo, como têm sido os últimos meses para muitos de nós. 

Josephine Foster– “Guardian Angel” – Folk psicodélico feito com violões e sintetizadores vintage emolduram a voz quase fantasmagórica dessa artista do Colorado. 

Deep Purple – “Oh Well” – Os veteranos britânicos lançaram um álbum muito maneiro, só de covers, Turning To Crime, que inclui essa versão de uma das canções-assinatura do Fleetwood Mac. 

Premiata Forneria Marconi – “Transumanza Jam” – Outros veteranérrimos são Franz Di Cioccio (voz e bateria) e Patrick Djivas (baixo e teclados), os únicos remanescentes da formação clássica da PFM, um dos nomes mais celebrados do prog da década de 1970, em boa parte por sua associação com Pete Sinfield, letrista do King Crimson, que produziu o terceiro álbum do grupo, Photos of Ghosts. Saiu agora seu vigésimo álbum de estúdio, I Dreamed of Electric Sheep , inspirado nos escritos do mesmo Philip K. Dick que deu ao mundo a base para o filme Blade Runner-O Caçador de Andróides

Starbenders – “Cover Me” – Quando falamos aqui de Måneskin, dias atrás, a querida Xanda Lemos, do grupo curitibano Criaturas, disse que gostava muito de uma banda aparentada do quarteto, mais pelo visual glam: a Starbenders, de Atlanta. Pois aqui está ela, com seu som que de certa forma atualiza os de duas bandas dos anos 1970: Heart e Fleetwood Mac. 

Bruno Mars, Anderson Paak – “After Last Night” – Os dois artistas – um superastro pop e um rapper –criaram o Silk Sonic, um projeto dedicado a lapidar canções no estilo funk e R&B de décadas atrás, como era praticado por artistas como os Isley Brothers ou James Brown, por exemplo. Nem tudo que fizeram em seu primeiro álbum deu certo, mas aqui eles se divertem, cercados por Bootsy Collins e Thundercat.

Jónsi – “Ambrox” – Guitarra e voz do Sigur Rós, o islandês cultiva uma carreira solo com músicas ainda mais etéreas e desencarnadas que as de sua banda original. Para seu terceiro álbum individual, Obsidian, preparou um repertório que casa com uma instalação artística montada na Tanya Bonakdar Gallery, em Nova York, com a qual já havia trabalhando anteriormente. 

Radiohead – “Follow Me Around” – Originária das sessões de gravação que deram origem ao álbum OK Computer, de 1997, a faixa vem à tona agora como parte do combo deluxe dedicada a dois outros álbuns da banda, Kid A e Amnesiac. E já virou superhit em rádios nos Estados Unidos e na Inglaterra. 

Yo-Yo Ma/Angelique Kidjo – “Blewu” – Parte do álbum Notes for the Future, onde o violoncelista extraordinaire toca com artistas de diferentes continentes, cantando em línguas diversas (do Catalão ao Maori), Ma acompanha aqui a divina Kidjo num tocante lamento tradicional do povo Ewe que homenageia os soldados africanos mortos em guerras travadas na Europa. 

Tom Petty – “Hung Up And Overdue” – Noite dessas topei no YouTube com um documentário fantástico sobre as gravações para Wildflowers, álbum solo (mas apenas por formalidade, pois os Heartbreakers tocaram nele) de Tom Petty, lançado em 1994. Produzido por Rick Rubin, após anos trabalhando com Jeff Lynne, Petty registrou material suficiente para um álbum duplo, mas quando a gravadora chiou precisou reduzir o material à metade. Só esse ano Wildflowers saiu em sua íntegra, incorporando preciosidades que ficaram de fora 27 anos atrás, como essa faixa, com Ringo Starr na bateria e vocais de apoio de Carl Wilson, dos Beach Boys.