PLAYLIST 85 – A seleção comentada da semana

Tonbruket – “Bruksmusik” – O quarteto sueco criou essa desconcertante canção instrumental, à qual chamou “Música Utilitária”, que soa como algo remanescente do pós-punk.  

Ben LaMar Gay – “Mestre Candeia’s Denim Hat”– Usando como ponto de partida o boné que o sambista carioca usava, o compositor e multi-instrumentista Ben, de Chicago, homenageia o mestre Luiz Candeia Filho com um samba acústico-eletrônico desconstruído, intrigante.

Antonio Adolfo – “Cascavel” – Sinuoso, o riff de baixo e piano elétrico Fender Rhodes serpenteia a introdução da faixa-assinatura de Viralata,  de 1979, o terceiro álbum de Antonio Adolfo a ser produzido de maneira independente e lançado por seu selo próprio, Artezanal. É seu maior sucesso de execução no Spotify – com quase 780 mil plays acumulados até agora – e a música que todo músico pede para Antonio tocar quando surge a chance de uma jam. Aliás, você pode saber mais aqui sobre Viralata participando da campanha de financiamento do livro  1979-O Ano Que Ressignificou a MPB, organizado por Célio Albuquerque e a ser lançado pela editora Garota FM Books.  

Leo Nocentelli – “Give Me Back My Loving” –  Sócio-fundador e guitarrista dos Meters – a banda de Nova Orleans que acompanhou meio mundo da música local, de Allen Toussaint a Dr. John – , Leon registrou, em 1971, um álbum-solo que ele qualificava como sendo seu “disco country”. E só agora seu Another Side vem à luz, apresentando um bem-nutrido lado rock-de-raiz, impulsionado a violão, cercado de parte dos Meters, e com a participação de Toussaint, todos em pleno vigor da juventude. 

Black Pumas – “Wichita Lineman” – O clássico de Jimmy Webb, imortalizado na voz de Glen Campbell, em 1968, aparece em nova versão, cortesia da dupla texana de rock-soul.

Jonny Greenwood – “Licorice Pizza” – O novo longa do autor e diretor americano Paul Thomas Anderson – o craque por detrás de obras-primas como Sangue Negro – nos leva de novo ao vale de São Fernando, em Los Angeles, território em que Paul cresceu e onde ambienta muitos de seus filmes (como Boogie Nights/Prazer Sem Limites e Magnólia), onde, em 1973, um casal descombinado – um rapaz de 15 anos e uma mulher de 25 – se conhecem e constróem um relacionamento singular. O título do filme vem da antiga loja de discos da região e a trilha, bem sacada, inclui marcos da época (de Seals & Crofts a Blood, Sweat & Tears) e traz essa agridoce música-tema, composta pelo guitarrista e tecladista do Radiohead.

Future Islands – “Peach” – Este single do quarteto de synth-pop de Baltimore chamou a atenção porque me transportou imediatamente a 1984. Aos estúdios da EMI-Odeon, em Botafogo. Onde estava produzindo o álbum de estreia do Legião Urbana. Synth-pop é a última coisa que viria à cabeça ao se pensar na banda de Brasília que revolucionou o rock do país, mas logo no início das gravações Renato Russo rascunhou no sintetizador e na bateria eletrônica Linn uma canção instrumental que lembrava muito essa. E era ótima, um hit instantâneo, grudenta e ultra pop. Num momento de delírio empolgado – e totalmente despropositado – cogitei até usar aquela música como o cartão de visitas da Legião para o mundo. E só a proposta bastou para Renato rapidamente engavetar a dita cuja, antes que ela fosse concluída. Ele estava certo. Certíssimo. A Legião não era aquilo – pelo menos não apenas aquilo, e precisava ser apresentada ao público como acabou sendo, através do rock épico de “Será” e “Geração Coca-Cola”. Só que aquela música acabou sendo aproveitada e, devidamente rearranjada, virou “Daniel Na Cova dos Leões”, a abertura do álbum Dois. O que atestou sua qualidade e o apreço de Renato por ela, a ponto de ter sido eleita para fazer a ponte entre o passado imediato da banda e seu estado presente. 

Band of Horses – “More Than This” – O grupo de folk-rock de Seattle vem apresentando em pedaços o conteúdo de seu sexto álbum de estúdio, Things Are Great, que sai em janeiro. 

Dionne Warwick / Chance The Rapper– “Nothing’s Impossible” – Tudo começou com um tuíte da legendária diva de Burt Bacharach endereçado a Chance The Rapper: “Se você é obviamente um rapper, porque incluir a palavra Rapper no seu nome?”. Ele respondeu com bom humor e carinho, ela o convidou para gravar com ele. O resultado saiu dias atrás, unindo gerações e estilos. A renda do single reverterá para obras beneficentes apoiadas por cada um dos dois artistas. 

The New Pornographers – “The Bleeding Heart Show”– O adorado supergroup indie canadense está comemorando 21 anos de carreira intermitente com uma série de shows, iniciada semana passada. Bom pretexto para celebrar a música da banda com essa faixa de seu terceiro álbum Twin Cinema, de 2005.