PLAYLIST 9 – A seleção comentada da semana

The Shacks – “Crimson and Clover” – Gamado pelo rock inglês dos anos 1960 e 1970, esse trio nova-iorquino continua mirando no mesmo período de tempo mas escolheu em seu próprio país um clássico pop de 1968, imortalizado por Tommy James and The Shondells, para regravar. 

Molly Sarlé – “Gipsy” – Esta canção – das muitas do repertório do Fleetwood Mac assinadas e cantadas por Stevie Nicks na época de maior sucesso da banda  – ganha nova versão em The Lagniappe Sessions, EP de covers de Molly Sarlé – vocalista californiana do grupo folk Mountain Man – que inclui, ainda, músicas de Annie Lennox e Big Star.

Brian Auger – “This Wheel’s on Fire” – Escrita em 1967 por Bob Dylan e Rick Danko, essa música ganhou mundo em versões gravadas (naturalmente) por Dylan e pela The Band, mas também pelos Byrds, por Elvis Costello e até Siouxsie and The Banshees. Também foi a música-tema da série inglesas Absolutely Fabulous, no início da década de 1990. Brian Auger e seu grupo, The Trinity, com participação de Julie Driscoll no vocal, alcançou o maior sucesso com a canção, lançada por ele em 1968.  Agora, reaparece numa retrospectiva de meio século de carreira de Brian, por cuja banda passaram, ao longo dos anos, como Rod Stewart, Long John Baldry e Jimi Hendrix: Introspection, pacote de três CDs. 

Baianasystem e Buguinha Dub – “Água (Adubada)” – Releituras das faixas de O Futuro Não Demora, álbum editado no ano passado, ganham pegada dub no novo lançamento do grupo baiano e, aqui, com participação dos conterrâneos veteranos Antonio Carlos & Jocafi.

Bedouine – “The Hum” – Motivada pelo atual momento político, Azniv Korkejian (ou Bedouine, como ela se apresenta), artista síria baseada em Los Angeles, regravou uma canção escrita em 1972 por Margo Guryan, inspirada no escândalo de Watergate, o estopim para a renúncia de Richard Nixon da presidência dos Estados Unidos.

Jeff Beck e Johnny Depp – “Isolation” – Faixa do primeiro álbum-solo de John Lennon, “Isolation” tem sido apresentada nos shows que Beck e Depp vem fazendo, e aparece transmutada. No lugar do arranjo espartano de piano, baixo, um pouco de órgão e bateria da gravação original, ficou pesada, com Rhonda Smith no baixo e bateria de Vinnie Colaiuta, e, em tempos de pandemia, ganhou novo significado. 

Fiona Apple – “I Want You To Love Me” – Ressurgindo após um silêncio de quase uma década, Fiona se impõe como uma das artistas mais criativas e instigantes de sua geração com um novo álbum, Fetch The Bolt Cutters, possivelmente o melhor de sua carreira, de sonoridade singular – ao mesmo tempo cru e sofisticado, com arranjos tão inusitados quanto surpreendentes – anos-luz à frente do que muitos de seus contemporâneos vem fazendo.

Prince – “Pop Life” –  Quatro anos depois da morte de Suas Majestade Púrpura vem à tona a gravação de um show de 2002, realizado no hotel Aladdin, em Las Vegas –  que já havia sido lançado em DVD – , iniciado com uma versão funk-jazzística de uma das melhores faixas de Around the World in a Day, álbum de 1985. 

David Bowie – “Aladdin Sane – ChangesNowBowie version” – Parte de uma gravação feita durante os ensaios para o show de 50 anos de David no Madison Square Garden, que seriam comemorados em 1997, esta é uma de nove versões acústicas de clássicos do artista.

The Rolling Stones – “Living in a Ghost Town” – Primeira composição nova da banda desde “Doom and Gloom” e “One More Shot”, lançadas em 2012 como parte da compilação GRRR!, ”LIAGT” é um rock midtempo, de produção moderna e algumas intervenções elegantes e precisas de gaita para pontuar. Fala justamente de isolamento e reforça a capacidade dos Stones manterem-se ativos e antenados mesmo após quase 60 anos de atividade.