PLAYLIST 90 – A seleção comentada da semana

Johnny Marr – “Spirit Power and Soul” – O quarto álbum solo de Marr chega carregado de sintetizadores e ritmos eletrônicos, investindo em ritmos dançantes sem medo de ser feliz – e sempre abrindo espaço para guitarradas marca-registrada. 

Nina Simone – “Be My Husband” – Na semana passada falamos da série de remixes da obra de James Brown, a cargo de Stro Elliott, do grupo The Roots . E aqui está parte de um projeto semelhante: a revisita à obra de outra gigante da música negra americana, Nina Simone, a partir da visão de diferentes artistas e DJs. Esta, uma das 26 faixas do álbum Feeling Good: Her Greatest Hits & Remixes, foi remixada pelos londrinos do grupo Hot Chip.

Lucius – “Next to Normal” – Produzido em Nashville pela fantástica cantora e compositora Brandi Carlile e Dave Cobb (que trabalhou com ela no projeto Highwomen e em seus próprios discos), o terceiro álbum da dupla nova-iorquina, Second Nature, “implora para você não ficar sentado nos momentos difíceis, mas para dançar”, conforme o release. Portanto, todo mundo para a pista!

Richard Carpenter – “(They Long To Be) Close To You” – Metade remanescente da dupla de enorme sucesso e influência, formada com a irmã baterista e cantora Karen, Richard está reformulando o repertório dos Carpenters com versões instrumentais de seus grandes sucessos. 

Elvis Costello– “The Boy Named If” – O 32º álbum de Elvis em meio século de carreira sublinha não apenas sua produtividade, mas – principalmente – sua capacidade criativa. Cercado pelos comparsas de fé (os Imposters, de som facilmente identificável pelo baterista Pete Thomas e o tecladista  Steve Nieve ), Costello apresenta um repertório rico, variado, representativo de um artista à vontade (e com igual autoridade) em estilos diversos. 

The Lumineers– “BRIGHTSIDE” – A faixa-título do recém-lançado novo álbum do grupo de Denver celebra a força do amor incondicional com arranjo bem mais econômico do que em discos anteriores. 

The Wombats – “If You Ever Leave, I’m Coming” – O trio de Liverpool acaba de lançar um single dançante/contagiante e impregnado de humor negro para falar da incapacidade de alguns reconhecerem e aceitarem o fim de um amor. 

FKA twigs –“tears in the club”– Estruturado como uma mixtape (ele começa com o clique de alguém acionando um áudio-cassete), Caprisongs , o novo álbum de Tahliah Barnett, é um disco vivo, sanguíneo e cheio de energia, combinando hip hop, pop, trap, Afrobeat e R&B, como nessa faixa, compartilhada com The Weeknd. 

Roger Eno – “The Turning Year” – Para seu primeiro álbum solo para o icônico selo Deutsche Grammophon, de música clássica , Roger (sim, irmão de Brian) criou canções que ele descreve como sendo “uma coleção de contos ou fotografias de cenas individuais, cada uma com características próprias mas intimamente ligada às demais”. O resultado da combinação do piano de Roger com as cordas do grupo Scoring BerlinFolk é emocionante – e hipnótico.  

The Delines – “Little Earl” – Rock americano de raiz, cheio de soul, de um quinteto do Oregon que faz canções de extrema emoção. São flagrantes de pessoas comuns em situações extraordinárias, geralmente resultando em muita perda e muita dor, como é o caso dos dois irmãos (duas crianças, uma delas sangrando no banco de trás do carro, enquanto o outro dirige sentado em cima de uma almofada para poder enxergar a estrada) dessa canção, que encontramos após terem cometido um crime no sul dos Estados Unidos. O que acontecerá com os personagens criados com tanta maestria pelo guitarrista e romancista Willy Vlautin? A canção – de arranjo rico, costurado por metais, órgão e piano elétrico – deixa tudo em aberto, e quando termina os dois irmãos prosseguem na estrada, à noite, sem saber o que fazer. E nós ficamos com a respiração em suspenso.