PLAYLIST 94 – A seleção comentada da semana

Para fechar a semana em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres, preparamos uma playlist especial, inteiramente no feminino. 

Joyce – “Feminina” – Começando por essa preciosidade recém-desengavetada: a gravação, feita em 1977, daquela que viria a ser a faixa-título do álbum que marcou, em 1980, o final de uma longa pausa na carreira da artista em discos e shows. A versão que está aqui é longuíssima (mais de 11 minutos, contra os três e meio do que foi gravado e lançado anos depois, em Feminina) e feita em Nova York com produção, arranjos e regência do gigante Claus Ogerman. 

Robyn – “Buffalo Stance” – O mega-hit de Neneh Cherry em 1989 é revisitado agora por outra sueca, Robyn, com participação da cantora Mapei (também com um pé nos Estados Unidos e na Suécia, como Neneh) e co-produção de Dev Haynes, ou Blood Orange. Faz parte de um novo álbum, só de colaborações, que Cherry planeja lançar até o final do ano. 

Cécile McLorin Salvant – “Wuthering Heights” – Uma estonteante cover do clássico de Kate Bush, gravada quase toda a capella numa igreja, abre Ghost, o novo (e por vezes desconcertante) álbum da americana Cécile. 

The Weather Station – “To Talk About” – Composto de faixas gravadas por Tamara Lindeman nas mesmas sessões que deram origem a Ignorance, presente em incontáveis listas dos melhores discos de 2021, o novo How Is It That I Should Look At The Stars atesta a fecundidade e a versatilidade da artista canadense, ao alternar a exuberância do repertório do álbum anterior com faixas mais intimistas, de instrumentação espartana. 

Nilüfer Yanya – “midnight sun” – O indie pop sofisticado desta cantora-compositora britânica (filha de turco com irlandesa) atinge um novo patamar em seu segundo álbum, adicionando peso e urgência. Aqui, ela começa sugerindo a agridoçura geralmente associada a Arlo Parks para depois atingir um clímax à Nirvana.

Porridge Radio – “Back To The Radio” – A banda de Brighton é impulsionada pela jeito ultra singular de cantar da vocalista Dana Margolin – encharcada de uma dramaticidade quase fora de controle.

yeule – “Don’t Be So Hard On Your Own Beauty” – Nat Ćmiel, criada em Cingapura e baseada em Londres, soa robótica, artificial, na pele de yeule, sua persona artística, criando um efeito desconcertante – é humana? Uma criatura digital, um código de computador? Ou uma combinação das duas coisas? 

Scrounge – “This Summer’s Been Lethal”– Tem vezes que o nome da banda ou o nome da música me pegam antes mesmo de ouvir uma nota sequer. Foi o caso do título do novo single desta dupla londrina, que soa como se tivesse aterrissado de algum lugar do início da década retrasada, com a vocalista Lucy acompanhada por um vórtex de guitarra e bateria. 

Hurray For The Riff Raff – “PIERCED ARROWS” – A cantora-compositora Alynda Segarra – com raízes porto-riquenhas e uma carreira construída no Bronx, onde nasceu, e em Nova Orleans, onde formou sua banda – chega ao oitavo álbum fazendo sua música mais concisa e acessível, graduando de seu folk zangado inicial para algo que ela mesma descreve como “punk natureza”. 

Dulce Quental – “A Pele do Amor”– E para fechar a playlist aqui está a primeira música nova a ser lançada desde 2004 pela cantora-compositora carioca, veterana do pop-rock: um single sensual, que se alterna entre sutil e peculiar, com Dulce soando como se estivesse no palco de uma boate escura e esfumaçada, (re)abrindo o coração para o mundo.