Steve Jordan fala sobre tocar com os Rolling Stones na primeira tour sem Charlie Watts

Steve Jordan deu a Mark Rozzo, da revista Vanity Fair, sua primeira grande entrevista desde que assumiu as baquetas dos Rolling Stones durante a turnê No Filter, que atualmente percorre o Estados Unidos.

É a primeira vez que fala sobre seu trabalho atual com a banda e, especialmente, sobre sua relação com Charlie Watts, desde a morte do titular, em 24 de agosto, aos 80 anos.

Jordan reconhece a situação delicada em que se encontra, assumindo – ainda que temporariamente, pelo menos por enquanto – o posto de um músico tão respeitado e adorado pelos fãs dos Stones. 

“Obviamente, estamos sob um microscópio”, ele disse ao jornalista. “E existem pessoas que não aprovam que eles saiam em turnê sem Charlie. Também existem pessoas que estão animadas por eu estar (tocando com os Stones). Mas também tem aqueles que não entendem que eu perdi um amigo, que não entendem que eu preferia que isso não estivesse acontecendo”.

“Mas os Rolling Stones, de verdade, fizeram tudo que puderam para amenizar essa transição, para que ela fosse feita com cuidado e empatia”, Steve prosseguiu. “Eles estão  plenamente cientes dos sentimentos de todos”. 

No decorrer da longa entrevista, o baterista recorda seu primeiro encontro com Charlie – nos bastidores do programa Saturday Night Live, em 1978, quando conversaram sobre … beisebol! –  e a primeira vez que trabalhou com os Stones no estúdio – em Paris, em 1985, durante as gravações do álbum Dirty Work – , justifica estar usando na estrada  a mesma marca de bateria que Watts tocava (“tinha que ser uma Gretsch, porque aquele é o som da banda”), embora esteja usando uma versão modificada (com um bumbo maior e sem um prato diante dele, para enxergar Mick Jagger melhor) e explica que optou por usar como guia as gravações originais, e não a forma como as músicas dos Stones vinham sendo tocadas ao vivo (“porque uma boa parte do que está [nos discos] foi abandonada com o tempo, eles não queriam ficar tocando a mesma coisa durante 50 anos. Mas não posso partir [do ponto em que a banda se apresentou pela última vez, em 2019]. Preciso vir lá do início e partir dali em diante, e com a mentalidade de um fã, porque como fã eu sei o que gostaria de ouvir”).

“As pessoas equacionam ‘ganchos musicais’ a guitarras e melodias”, Steve diz, “mas existem ‘ganchos’ de bateria também. E Charlie tocava um monte de ganchos. Se você não tocar esses ganchos, não estará tocando a música. Então, é imperativo que eu mencione e toque esses ganchos”. 

Leia aqui a íntegra da entrevista, na publicação original da Vanity Fair.