Stones no palco sem Charlie? Ou o prenúncio de novo adiamento de turnê?

Você e toda a torcida do Flamengo já sabem: por questões de saúde, Charlie Watts estaria fora da nova etapa da turnê No Filter, dos Rolling Stones, nos Estados Unidos, que rolaria de setembro a novembro. Mas preste atenção no tempo do verbo: rolaria.

Porque, apesar de ter sido anunciada a convocação de Steve Jordan – baquetas, baixo ocasional e produção dos discos solo de Keith Richards, com quem trabalhou desde Hail!Hail! Rock and Roll, documentário sobre Chuck Berry – para o posto deixado temporariamente vago por Charlie, que está de molho após uma cirurgia de emergência (não há detalhes sobre o motivo do procedimento), a realização mesmo da turnê, adiada um ano e meio atrás por conta da pandemia de COVID, pode não ser uma certeza absoluta.

Confabulei com meu amigo André Ribeiro, cabeça do Stones Planet Brazil e meu guru para assuntos relativos aos rapazes de Dartford, e ele tem uma avaliação bastante interessante.

Primeiro, André chama a turnê de No Sense tour. O que faz sentido: senhores septuagenários (e oitentões, caso de Charlie) se aventarem a cair na estrada em meio ao alastramento da variante Delta nos Estados Unidos, onde montes ainda se recusam a tomar vacinas, é bastante preocupante. E Ron Wood terminou faz pouco tempo um tratamento de câncer. Muita gente está chiando que essa excursão é uma forçação de barra: como se diz em inglês, um “money grab”. Algo feito só pelo dinheiro. Como se os Stones precisassem desesperadamente de grana.

De fato, os Stones movimentam montanhas de dinheiro – o que beneficia multidões, da equipe da banda aos fornecedores com quem trabalham, dos estádios que alugam parta tocar aos hotéis que abrigam seus fãs mundo afora. Do vendedor de cachorro quente e cerveja à barraquinha de camisetas. E sempre haverá uma enorme pressão para que eles continuem na ativa, trabalhando e gerando mais e mais dinheiro. Mas a situação atual é singular e pode emperrar essa engrenagem tão bem azeitada.

André avalia – e tendo a concordar com ele – que, apesar do tom otimista anúncio da troca de Watts por Jordan, há uma possibilidade real da turnê sequer acontecer. Justamente por conta do agravamento do quadro da COVID nos Estados Unidos. Assim como poderão ser cancelados todos os shows agendados por outros artistas para daqui a algumas semanas.

Nesse caso, a saída de cena de Charlie, embora haja uma razão médica, seria apenas uma espécie de preparação do terreno para novo adiamento da excursão, o que pode vir a acontecer. Ou não!

Os ingressos já estão à venda desde a semana passada. Mas certeza de que vá rolar mesmo a excursão – por mais que Steve Jordan já tenha sido apresentado e ele esteja a postos para os ensaios, que começariam em questão de dias – só mesmo quando eles subirem ao palco do Dome at America’s Center, em St. Louis, no domingo, 26 de setembro.

Até lá, tudo pode acontecer.

Enfim, são conjecturas num cenário de vai-e-vem provocado por uma pandemia longe de ser completamente domada. Se é que alguma dia o será.