Vídeo-reportagem revisita locações da feitura de ‘Let It Be’

Enquanto o mundo se prepara para assistir aos três episódios, de duas horas, cada, de Get Back – o documentário sobre a feitura do álbum Let It Be, preparado pelo diretor neo-zelandês Peter Jackson, que a Disney+ exibe de 25 a 27 de novembro – , vêm à tona incontáveis matérias e ensaios sobre o início do fim dos Beatles, e sua capacidade de produzir e criar de maneira brilhante, mesmo diante de crises e pressões enormes.

Assim como o assunto gerou discussões sobre como o rockdoc original, dirigido por Michael Lindsay-Hogg, contava apenas uma parte da história, enfatizando os bodes e baixos astrais das gravações, enquanto o material desencavado por Jackson (uma peneira de 60 horas de filmagens inéditas e 150 horas de áudio) faz um relato com muito mais nuances do que aconteceu naquelas semanas de gravação – culminando com a última vez em que os Beatles se apresentaram em público, tocando no terraço do prédio de sua empresa, a Apple Corps, numa tarde fria de janeiro de 1969.

Um evento mundial, o novo documentário chega junto com com a versão deluxe de Let It Be (já comentada aqui) e com um livro de formato grande, com fotos raras ou inéditas de Linda Eastman e Ethan Russell e trechos das conversas travadas por John, Paul, George e Ringo durante o trabalho.

O jornalista que editou esse livro – John Harris, colunista do jornal britânico The Guardian –  preparou, a pedido da Apple, uma video-reportagem inteligente e emocionante, que recria os passos dos Beatles no cavernoso estúdio em Twickenham,  e no prédio em Saville Row que servia de QG da banda e de sua empresa.

Harris não apenas visita os lugares onde os Beatles trabalharam durante a feitura de Let It Be, fazendo um interessante contraste entre passado e presente – o escritório da Apple hoje é ocupado pela confecção Abercrombie & Fitch –, como também entrevista transeuntes na rua onde fica o prédio, ecoando momentos semelhantes nos filmes de Michael e Peter mas criando um ponto de vista atual, com a perspectiva de meio século, para aquele que foi o último concerto dos Beatles. 

É delicioso ver as pessoas na calçada assistirem no celular de Harris ao concerto em curso lá em cima, 50 anos antes, e se surpreenderem ao lembrar ou ao saber pela primeira vez que vários locais e a polícia se incomodaram com o “barulho” e não sossegaram até dar um fim ao show histórico para os londrinos na hora do almoço.

A peregrinação do jornalista termina em Abbey Road, onde entrevista uma família inglesa que está ali para reproduzir a foto da capa do que seria, na verdade, o registro das últimas gravações dos Beatles. 

O caçula chama-se Jude – e o pai admite não ser uma coincidência. A mais velha dos três filhos declara sua admiração pelos Beatles, um grupo que já deixara de existir décadas antes dela nascer.

Essa coda da vídeo-reportagem ajuda a sublinhar com vermelho a força, a abrangência e a qualidade do legado cultural dos Beatles, sólido e duradouro.

Veja abaixo a íntegra da vídeo-reportagem de John Harris para The Guardian.